Barrancos (Portugal) 8 octubre. Jornadas "Memórias da Guerra de Espanha na fronteira do Baixo-Alentejo oitenta anos depois (1936-2016)

Jornadas "Memórias da Guerra de Espanha na fronteira do Baixo-Alentejo oitenta anos depois (1936-2016)

8 octubre, 10 horas.

Barrancos (Portugal) 

 

PROGRAMA EN PDF ADJUNTO.

 

 

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I - OS CAMPOS DE REFUGIADOS REPUBLICANOS EM BARRANCOS 
Na noite de 21 de Setembro de 1936, após a tomada da povoação de Oliva de la Frontera (Badajoz) pelos sublevados, um grupo constituído por 566 civis chefiados por Ricardo Carrillo Almanso, empregado bancário de Huelva, 30 carabineiros comandados pelo cabo Fermín Velázquez, e 40 mulheres com 12 crianças foi acolhido junto às Umbrias do Resvaloso, na herdade da Coitadinha, pelo tenente Serrão da Veiga, do Regimento de Infantaria 17 de Beja, que assumiu a responsabilidade da sua entrada em território português até ser decidido oficialmente o seu destino. A 23 de Setembro, o general Joaquim da Silveira Malheiro, Comandante da 4ª Região Militar, oficializou a permanência deste grupo, segundo as instruções recebidas do Ministro da Guerra (Salazar). A fronteira portuguesa marcava agora a linha divisória entre a vida e a morte, e o fluxo de refugiados atingia proporções incontroláveis, que as forças militares portuguesas não podiam conter. (…) Para além dos refugiados republicanos da herdade da Coitadinha, o tenente António Augusto de Seixas (GF) permitiu a concentração de mais três centenas de pessoas na herdade das Russianas (Choça do Sardinheiro) e procedeu a diligências junto do Director da PVDE, para oficializar a sua permanência em Portugal juntamente com as da Coitadinha. Perante a recusa do capitão Agostinho Lourenço, o tenente Seixas vai encetar contactos com as novas autoridades espanholas para garantir o regresso dos refugiados em segurança. tendo declarado num relatório, "que tencionava expulsar os refugiados da Choça do Sardinheiro quando recebesse das autoridades espanholas, das diferentes localidades, a «palavra de honra» de que lhes não fariam mal”. Mas a «palavra de honra» nunca chegou, e as notícias de fuzilamentos em Oliva de la Frontera eram cada dia mais alarmantes, agravadas pelas permanentes incursões de grupos de falangistas em território português. (Dulce Simões, A guerra de Espanha na raia luso-espanhola. Resistências, solidariedades e usos da memória, Edições Colibri, 2016)

Fecha: 
Sábado, 8 Octubre, 2016 - De 10:00 hasta 17:00
Lugar: 
Barrancos (Portugal)